Like a white winged dove...

... we can sing, and we can fall. But we can always fly once more again.

Ouso dizer que já não sinto sua falta.
Que você agora já não passa de uma lembrança gostosa.

Ouso dizer que estou mais leve, mais tranquila. E que meus medos que tanto me apavoravam agora são só detalhes aparentemente simples de lidar.

Senti meu coração bater mais forte, nao por amor ou paixão. Mais por vida, por finalmente ter notado a janela aberta e ter percebido e ido além dela.
Senti meu pulmão enxer-se de ar -- e foi realmente bom!

Senti raiva, senti tristeza. Me vi cair de joelhos sobre as areais com pedrinhas afiadas, mas nem por isso deixei de me levantar, embora o tenha feito com muita dificuldade.

Ouvi a melodia do vento com as árvores e de cada pássaro com seu canto maravilhoso.

E embora tenha presenciado tudo isso, voltei a afogar-me em mágoas e lembranças pezarosas, daquelas que só te puxam pra baixo, sem nem te pediram licença.
Mas embora esteja assim, não me sinto mais desesperada ou sem solução, porque sei que tempo vai, tempo vem, cada peça desse quebra cabeça imbecil do qual eu tenho participado vão finalmente se encaixar e essa jogada vai terminar. E como estou fazendo minha parte, seja qual for o resultado, terá sido merecido.

Ah, mas nem por isso deixei de cantar. E devo dizer que embora sem prática ou treino, não tô cantando tão mal assim. Não tá algo digno de ovação. E dane-se quem achar que sim.

Sem muito o que postar, só precisava desabafar. Aliás, até tenho algo novo a postar, uma historinha, ou o começo dela... mas ficou em um papel rabiscado em casa. Postarei depois ;D



4 riscos & rabiscos:

/ Jess Araújo disse...

Muito bom, adorei aqui!
Todas as cores e as letras são gostosas de ver.

Estou seguindo, obrigada por sua escrita, é intensa e suave, paradoxamente.

Um beijo.

Juliana Dacoregio disse...

Também já ousei dizer que estava mais feliz e tranquila, que os medos já não apavoravam tanto... Hoje, exatamente hoje, estou em desespero inerte. Mas sei que amanhã (ou depois, ou depois) ousarei dizer tudo que você disse. E ousarei acreditar que é tudo verdade. Pois de certa forma, é. Quando eu não puder mais ousar nada, continuarei crendo lá no fundo que voltarei a ter paz e serenidade.

.Mari. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
.Mari. disse...

Preciso, assim, meio que desesperadamente, dessa sensação de alívio descrita no início do texto. De um 'tudo em paz no reino da química', rs! Pensando aqui sobre o modo como as relações humanas, mais frequentemente as afetivas, vão tomando essa característica de 'jogo': alguém tem que ganhar, alguém tem que perder-seja lá o que for: 'a paz, a paciência, a urgência que te leva pela mão', etc- tem que haver estratégias e auto-proteção, etar sempre alerta...o que se passa no íntimo do outro é sempre um mistério e vice-versa, um emaranhado de coisas e coisas...e a gente só quer isso: uma resposta, uma conclusão, mesmo que momentânea- um encerramento, um alívio. Imediato.

 
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