Segue aqui, agora, o primeiro trecho do porque do nome deste blog...


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Terra Circense

Então foi assim: ela se levantou da cama, com seu pijama rosinha com detalhes de redinhas, sem sapatos, calçando apenas sua meia branquinha, e andou até o espelho. Tinha cansado de olhar para o teto, de fazer as lições e cumprir com as obrigações.
Tinha cansado de ligar a tv e ouvir de tragédias, de tirar fotografia que ficar olhando pro passado, de ouvir músicas e depois saber que perdeu o som da natureza, a mais bela melodia de todas.
De pé, em frente ao espelho, ela apenas respirava fundo, sentindo seu coração bater, ouvindo os sons dos ambientes ao seu redor. Em seguida, a porta de seu quarto abriu levemente, dando passagem a seu gato preto com uma mancha redonda branca no pescoço, que ficou andando entre suas pernas até ela o pegar no cólo e começar a lhe fazer carinho na cabeça.
Quando o gato quase dormia, ela começou a se fitar no espelho, imaginando o que ou quem seria, se não fosse ela mesma, se não tivesse os sonhos que tinha. Divagou por algum tempo e esticou a mão que outrora acariciava o gato até o espelho, tocando-o. Assim que sentiu a temperatura gelada do vidro do espelho, ela fechou os olhos, respirou fundo e quando abriu novamente, assustou-se! Já não estava mais em seu quarto e o seu gato já não estava em seu cólo, embora, para sua calma, ele era a única coisa no novo cenário em comum com o anterior, seu quarto, e estava logo a sua frente, miando para um homenzinho engraçado, parado apoiado em uma bengala, poucos metros a frente, sob o mais próximo poste de luz.
 
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