Enquanto seu silencio ecoa,
eu me pego vulneravel, perguntando ao vento:
Quando terá começado?

Essa necessidade infundada,
esse querer tao latente,
e essa importancia tao desmerecida
da sua pessoa esclarecida,
mas cujas palavras iniciais tao queridas,
sempre vem acompanhadas
de futuras memorias tao doloridas... 

O tempo passa,
e a gente envelhece,
e ao contrario do esperado,
muito embora a maturidade o desenrolar do destino nao me tivesse negado,
a fragilidade voce de volta trouxe,
e sem expectativas percebidas,
permiti que vc viesse a minha mesa,
que outrora lindamente vazia,
para minha querida solidao a mais perfeita companhia,
passou entao a contar com risos e conversas excitantes,
perdidas para sempre no percalco deixado pelo vazio do baque surdo,
da sua saida tao fria e dilacerante.

E agora onde antes havia um coracao partido,
ha tambem uma alma estilhacada,
e sonhos novamente nao correspondidos.

18 Months

Have you ever been caught in a storm, at the sea?
You get soaked first, no matter how fancy is the waterproof in your clothes.
You perk up and you can see a little glimpse of light, the shore which is far away but reachable still. 
So you try to get grip of the oars, but your hands are wet and the tides are strong, and sooner than later, they take the oars away.
And before you can make any sense of the situation, your boat gets flipped, and along with the tides everything goes, even your hopes. 
The under current sweeps you away and seem to be caught between half drawning and being half conscious. 
The tides are dark and you can't make a thing.
But survival instinct is a thing so you kick your legs and you move your arms. You thrust yourself upwards, you aim for the surface, a glimpse of the sky. 
And kick and you fight and when you finally make it, the storm is still there.
More water splashing on your face. The rain is heavy and the drops are sharp. Waves crash on you and there's no one to see you scream. There's no one to hear you cry. 
Exhaustion wins over and you want to move but it fails you.
You start drowning and as water fills your lungs you give up the fight. 
And you realize that before you wash up on the shore, the current will drag you down and drown you.
And you realize, you ever only had yourself but now you no longer do.
So... You just... Stop.

Gaslight

They painted a world
Bright and colorful
Sprinkled with smiles 
And subtle melodies
Nice gestures 
And pleasant policies 

But in just one concealed blob,
The colours started to fade
And the smile turned two-faced.
In that just one blob,
The melodies turned to a deafening silence
And the gestures, a trap in the dark.

The truth now so hard to see
Was placed in my hands;
A sharp knife to cut myself free,
but which instead bled my hands and sliced my feet.

It's no wonder
That I feel as if I can't breathe.
My deepest wish,
that I would simply cease to be.

Blinding silence

Oh, my heart, my dear heart,
What is it that you deeply crave for?
Whose face and voice and warmth do you miss so?

Oh, dear child,
For you are only a child in your soul--
This is an answer you know all too well!
For very few things escape the eye of a child.
Only they forget easily...
And isn't oblivion the truest of the blessings?

I crave what we always craved:
The warmth and scent of a skin 
That ports us so easily into a dream;
The voice and words of a mind
That is as fascinating as it is kind;
The eyes, the smile and the face,
That steals our control over our own heart's pace;

We always loved the rain on a cold grey day
But isn't it thrilling
When our soul is filled with a non-ordinary passion,
that can only come from a corresponded feeling,
like flowers on the Spring of May?

Oh, dear child,
I beat sadly, but hopeful,
Because we've farred, 
we lived and loved,
and we risked it all.

We took a gamble, 
and seized every moment of it,
Ever so reliant, ever so capable.

You did so well,
You gave your best,
No matter if all we had left
Was a tragic tale
And a little remain of ourselves.

As well as the knowledge
That we miss that half that no one else resembles,
Not even that half itself.

Still, we remain,
Praying for a good dream,
Every now and again,
Perhaps even in this life's stream.


(written on March 10th)
Identificar o azul do céu
o dourado do sol refletido na superfície da água
é um luxo 
que certos Estados de alma não nos permite admirar.

Mas quando nos falta a visão
ou mesmo olfato e audição-- 
O tato nos permite lembrar
por meio de uma singela brisa fresca 
ou uma gota de suor ou ressecamento de frio
de que nada dura pra sempre e que o universo,
assim como a vida, é imenso demais 
fazendo de nós um singelo grão de areia
na beira dessa praia
ora abençoada, ora amaldiçoada,
que se traduz em nossas vidas.

Sara

Eu quero te contar uma história. 
--
Era uma vez uma garota que em busca de uma vida melhor, deu um abraço carinhoso nos seus pais, acariciou seus bichinhos de estimação uma vez mais e, jogando no seu ombro a única mala que tinha, saiu pelo portão de casa em uma tarde não tão fria de inverno e caminhou em direção ao ônibus que tomaria para a cidade grande.
Lá ela foi viver com um amigo da família: um senhor já de idade que apesar de morar sozinho, recebia visitas constantes de sua amada família. Ele concordou em fazer o favor de alugar o quarto menor que não usava para a menina da nossa história. 
Nossa garota não sabia muito da vida, mas chegando nesta cidade nova, juntou toda a disposição e ânimo que tinha e encarou cada dia a dia com um sorriso no rosto, força nas pernas e coragem no coração. Encantou a algumas pessoas por onde passou, e irritou outras também. Pessoas com opinião própria são assim: não agradam a todos e não há nada de errado com isso.
Sara, nossa garota, trabalhava o dia todo e estudava a noite duas vezes por semana. No fim do dia, estava tão cansada que o que mais queria era estar de volta em sua cama, para ler o seu livro antes de dormir, 6 horas antes de ter que acordar para abraçar mais um dia cheio de novas oportunidades.
Mas ao chegar em casa, se deparava com uma sujeira tão grande em sua cama, que antes mesmo de tomar banho ela precisava, de novo no dia, arrumar e limpar tudo. A sujeira era do neto do amigo da família que a hospedava por um preço, mas que não respeitava seu espaço e deixava seu neto mexer em suas coisas e sujar tudo. 
Numa tentativa que reconciliar a situação, ela tentou conversar com o gentil senhor que a permitia alugar aquele quarto, mas ele riu de Sara, dizendo que o quarto era dele para fazer o que quisesse. Mas oras, ela o lembrou, ela ainda pagava pelo aluguel. E uma moça jovem precisa de sua privacidade. O senhor, já não tão gentil, disse que não ouviria mais daquilo. 
Sara pediu então a seu pai que interviesse e conversasse com seu amigo. Mas seu pai, temendo um atrito que pudesse lhe afetar os negócios, se recusou. E nossa Sara, dizendo a si mesma que aquilo não era de grande importância, se relegou e aceitar uma situação, assim, desrespeitosa. 
Não tardou para que logo dinheiro começasse a sumir, pertences a quebrarem e peças de roupa sujarem constantemente. Vendo-se numa situação sufocante, Sara procurou outro lugar para viver, mas a oferta era baixa e a procura era alta, e a busca ficou cada vez mais difícil. Sentindo-se desamparada e sem espaço para respirar com o mínimo de paz, Sara começou a sair para happy hours com Seus colegas de trabalho, na tentativa desesperada de evitar ficar tempo demasiado naquela situação desrespeitosa. E lá, nos Happy Hours, seu laço de amizade com o rapaz Rodrigo se intensificou, e o que era antes apenas amizade passou para algo mais. 
Rodrigo era um bom rapaz, tinha concluído com mérito sua faculdade e estudava para seu mestrado. Era trabalhador dedicado e um moço independente. Todos os amigos e colegas de trabalho em comum dos dois acreditavam que Sara e Rodrigo eram uma combinação perfeita, visto que ambos eram gentis, dedicados, honestos e com um ótimo compasso de ética e moral. 
Acreditando que seus amigos estivessem certos, Sara se envolveu cada vez mais com Rodrigo. E, para o alívio de Sara, Rodrigo logo virou também um refúgio. 
Mas refúgios não são garantidores de um futuro melhor, e a situação na moradia de Sara ficou cada vez pior. Sem dormir direito, o desempenho de Sara decaiu tanto na escola quanto no trabalho. Ela viu sua aparência ficar abatida e até mesmo perder a cor. Antes que pudesse processar o que acontecia consigo mesma, ela entrou em estado deprimido e em modo automático. Saía se amigos chamassem. Já não discutia com seu chefe no trabalho, o que não agradou muito ao chefe, pois apesar das discussões, ele sempre apreciou as opiniões detalhadas e construtivas da moça. Não tinha vontade de fazer nada, mas ainda se encontrava com Rodrigo, que tentava a reanimar com idas a eventos de músicas que ambos gostavam, visitas a restaurantes diferentes e legais, filmes e séries inspiradores. 
Mas uma bela manhã, quando Sara ainda dormia, Rodrigo a acordou com toques que apesar de carinhosos ela não os queria. E sem cerimônia alguma ou consideração pelas recusas da moça que saía com ele há alguns meses e vez ou outra dormia em seu apartamento, Rodrigo forçou obter o que dela queria.
Sem forças pra discutir ou reagir, Sara sequer conseguiu processar o ocorrido. Cansada e sentindo-se drenada de energias, de certa forma suja e machucada, ela voltou para o quarto onde pagava seu aluguel. Ignorando as tentativas de conflito com o dono, ela dirigiu-se para o banheiro, onde tomou o que lhe parecia ser o banho mais demorado de sua vida (pois não conseguia, por mais que esfregasse a bucha, tirar aquela sensação de sujeira), e só saiu quando (de novo) o dono desligou a águia quente na central que ficava na cozinha, dando na moça um chique térmico. Tensa pela choque térmica e atordoada pela barulheira em sua mente, ela foi-se deitar em sua cama, que novamente estava suja e desarrumada - uma sujeira e desordem novamente feitas por outrem. Não conseguiu dormir, nem entender o que sentia nem como nem porque. Não tinha fome, nem sede nem vontade de nada.
Mas voltou ao trabalho. Seja o que fosse, o relógio de ponto que registrava a presença de todos não perdoa ausências, não importa de qual tipo. E as contas precisavam ser pagas.
Rodrigo tentou falar com ela, mas sem sorte em obter algo além de um olhar vago da moça, pois Sara não sabia o que nem como responder algo a ele nem a ninguém. E sentia-se mal e culpada por agir assim, pois o Rodrigo havia sido alguém em que confiava.
Algumas semanas depois, quando o projeto de Sara foi concluído e o contrato de trabalho não foi renovado, um amigo de Sara a telefonou para conversar a toa. Era um amigo de infância muito insistente e que aos poucos foi conseguindo reações da moça, mesmo que breve e pequenas. Ora um riso curto, ora uma reprimenda. E em meio a um papo sobre envolvimentos amorosos, Sara contou ao seu amigo sobre como havia conhecido alguém, mas que não havia dado certo. Seu amigo de infância quis saber porque não, e ela contou sobre o ocorrido naquela estranha manhã, onde ela fez sexo com Rodrigo depois que ele insistiu muito, apesar dela já ter recusado várias vezes. Ela disse ao seu amigo pelo telefone que não entendia o porquê de não conseguir ficar mais perto de Rodrigo, já que "nada de mais" tinha acontecido. Um silêncio seguiu-se ao telefone e, sem saber muito bem escolher suas palavras seu amigo de longa data a disse: "vc já estava numa situação desprovida de respeito onde vc mora, e o tal Rodrigo, o que ele fez... foi praticamente um estupro... Vc realmente não sabe mais por que não se importa com mais nada na vida?" 
Estupro. Precisou de um amigo seu dizer pra ela que entendesse. Oras pois, onde já se viu uma pessoa forte se permitir chegar a tal ponto em que algo assim acontece? Então ela não era forte, talvez nunca tivesse sido. Não, estupro, como dizem, é coisa que acontece com gente fraca. Mas se fosse "coisa de gente fraca", pensou, isso não aconteceria com crianças ou mesmo adultos indefesos. Aquele ato que a sociedade adora dizer que só acontece com pessoas fracas, ou que se vestem de uma maneira provocadora, como se pedissem. Mas oras, se pedissem, então seria um ato consentido, não passível de ser rotulado de estupro. Não obstante, estupro se tivesse algo a ver com força, seria devido a necessidade do criminoso em subjulgar alguém; nada tendo a ver com a força ou fraqueza da vítima. Mas nada disse importa. Única coisa que deveria importar é o crime cometido.
Estupro. A palavra ecoou na mente de Sara e levou alguns dias para ela compreender a situação insana em que se encontrava. E quando compreendeu, entendeu que se não fosse pela necessidade que sentia de ficar longe de um ambiente de desrespeito e turbulência, mas que era pra ser seu aconchegante lar, ela jamais teria feito de sua vida social e romântica um refúgio. Não teria deprimido e não teria ficado sem forças pra lutar ou fugir de uma situação em que lhe roubam a identidade, dignidades, respeito e escolhas que é a situação de estupro. 
E numa chuvosa manhã fria de outono, ela tomou sua decisão. Fechou suas malas e, partiu sem dizer adeus. 
E foi assim que aquela menina, outrora cheia de sonhos e confiança em um futuro melhor, foi-se embora não somente de um lar hostil, mas da vida. E ficou apenas a carcaça de uma Sara com uma identidade vazia a ser reconstruída sobre os alicerces de algo irreparável.

Kernel

Despite all odds of being on a rainy land, the sun shined bright and warm on that day. It was a long trip on the train, but I could barely hear the sound of the wheels against the tracks, so loud was the beat of my heart, aching and weeping tears my face was working so hard to contain. Occasionally I would be brought back to reality, by the voice of the man who was as guilty of the upcoming crime as I was. 
But since I held the ultimate chance of not walking through those doors, or running away once I was already in, Choice banned me from any self-pity or self-loathing, making of me the ultimate responsible of all.
When I regained consciousness, I recall the tears were no longer just on my heart, but now also ran down my face. The crime could never be undone. I had committed the worst case of theft a human being could ever accomplish, and the knowledge that I hadn't been the only one, made no difference to dress the wound forever opened, not in my body, but in my soul.

For theft, you see, is the worst crime of all. 
When you steal a candy, you impede a shop owner of a profit he could otherwise put towards the up keep of his family. 
But theft is not just the appropriation of something not entitled to the one performing or profiting from the action. 
Theft has many forms, thus making it the most vile human crime. 
A lie, for an instance, is the theft of knowledge, for it robs someone their right to the truth.
An assault robs someone the right of choice, and that's just on the surface. In many cases it can steal someone's identity, removing from them the sense of belonging, of placement, of self-love and of their will to live or even from the simple will to do anything at all.
A murder not only takes away someone's life, but also takes away the many human interactions both friends and enemies could hold with the now deceased one.
Abandonment is a deceitful theft, for it steals both from the victim and from the wrong-doer. The victim, restrained to never knowing the feeling of love and belonging, the wrong-doer not only robbing himself the chance of love and belonging, but also the chance of learning the surprising things one may achieve through commitment,. Both robbed of a future for no reason other than fear.
So as you see, theft is the most vile of all crimes, for at its essence, it encompasses them all.

And I am forever a criminal. But label is not of any importance. It's the full awareness that gnals my soul, killing me inside out without ever rendering me dead, for death in this case would be nothing but a show of compassion -- something I haven't earned at all.

I've known love and overcoming all of my life. More so, I've known overcoming through love my entire life. From being rigged to die, countless times, from birth, to being kept alive by a mother's devotion even when the odds were not in favour. Becoming trapped in a body that failed basic functions, and yet overcoming that by the love of the same mother who, despite all other never-light life's challenges, never gave me up and, most importantly, never let me gave up on myself. From surviving poverty, starvation and the imminent prospect of lack of alphabefization and education, solely because that one parent, alone in all her actions, refused to give up even when the darkest of times tried to take the best of her. 
So if anything, my brave, persistent and loving mother showed to me, my entire life, that overcoming is nothing but a choice you make every day, despite any fear or unfortunate events life throws on our way. I became living proof that the sun shines after the storm, and that the wreckage can be dealt with, sometimes even reused for better days. 
Despite it all, t'was in lieu of fear, that I walked in that room and consented that my own only true creation be removed from me. 
Out of fear of exposing my creation to a hopeless, monstrous and decaying life, I became a monster myself, decaying through a hopeless guilt and everlasting awareness about the life I robbed, an echo hurting from a wound I crafted myself in my own soul, the price for the most unforgiving choice of all. 

I walk around 
rarely so carefree
observing by places
some amazing sightings to see

Some, filled with so much history,
remarkable past and cultural indetities,
But none of which could possibly belong to me,
and never I, to it.

A sea of faces,
each hiding a story and
a bravery we not always get to meet.

And some of us worry
That with each face 
comes a chance of disappointment;
an ache started from ourselves,
a reflection on others with us involved. 
But with each face also comes
a surprising potentiality
of spectacular future past memories.
How far must I swim
Before, while walking, I can feel the grass under my feet?
The freshness of the breeze,
the melody of the wind?

arco-íris de fundo de garrafa

"Catar os cacos,
essas pecinhas tão frágeis e valiosas,
cada uma um selo de incontáveis memórias,
outrora partes do nosso eu tão arcaico,
mas agora uma singela oportunidade 
para montarmos o nosso mais lindo mosaico." 
 
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