Com gostinho de Algodão Doce!

Aquela simples vontade de deitar na grama, olhar o céu estrelado, longe da luz da cidade... E pensar, e só falar no universo, nessa vida que nos cerca e de coisas que nenhuma pessoa normal passaria noite a fora dizendo.
Ou simplesmente ficar lá, olhando aquela perfeição cheia de estrelas.
E de repente abrir os olhos e se dar conta de que não tem nada de errado em lembrar da infância, das comidas gostosas, das brincadeiras, dos risos e diversões.
De um tempo feliz  que se foi e, exceto por lembranças, não volta mais.
Sentir aquela textura de algodão doce, do cheirinho da garapa na estrada, do doce de leite da vovó e da carne moída com legumes que a mamãe faz. E mesmo daquele bolo disforme da irmã mais nova.
E sentir falta da época que nada fazia falta, além de um desenho animado bobo na tv e uma música animada dos Mamonas Assassinas pra ficar girando a toa na sala de casa, girar, girar e girar até ficar tonta e cair rindo no chão.
Agradecer por essa época de infância tranquila, que mesmo com todos os altos e baixos, foi perfeita de cima a baixo.

Se dopar de lembranças fantásticas, pra fazer o presente parecer um pouco melhor do que as pessoas do lado de fora acham que é - e que na real, a gente sabe que não é.

Lembrar da adolescência, onde tudo que importava era ler e falar de tecnologia e ciência, e de estudar português pra ter pachorra de querer e conseguir corrigir a professora da matéria. Se gabar da facilidade com inglês, disciplina que você ama, não abre mão e mesmo assim, mata aula, porque ela simplesmente não acrescentava nada.
E ficar vidrada na disciplina de matemática e química, porque nada mais no mundo parecia ser mais fantástico que isso (com exceção, é claro, da fantástica Tecnologia de Informação e Comunicação).
Da época que nossa vida simplesmente parecia não precisar de trilha sonora e citações bonitinhas.
Da época que ficar dias e dias desenhando parecia que era tudo o que mais importava.

Whoa... E de achar bonita a cicatriz que você tem na testa e que parece causar remorso em qualquer um que a vê - e que pra vc, é um futuro mapa de um lugar mto fantástico e secreto... Delirar com coisas absurdas e simples, só porque as notícias da tv e dos jornais não tinham a obrigação de entrar na sua vida e regê-la como um maestro adoidado.

Da época que você não precisava fazer lógica pra ninguém, de que a normalidade era só uma palavra e razão era algo de que você gostava e adimirava, e não apenas uma obrigação.

 
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