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O "O 'A' do Abecedário

Esse foi post que digitei em Junho de 2011 e gostei de reler ontem.
(Estou postando pelo celular, na tentativa de ver se funciona) :)

O "A" do Abecedário

Começa quando você é criança e aquele bando de adulto sem noção fica te perguntando: de quem você gosta mais, de mamãe ou de papai?

Como se apenas esse absurdo não bastasse, mal passa um ano (ou seja, você nem tem seis anos direito), já tem algumas várias pessoas te perguntando: O que você quer ser quando crescer?
Oras bolas… você no auge do seus cinco anos, se foi uma criança normal, diferente de mim, provavelmente respondia jogador de futebol, ator de tv, piloto de fórmula 1, professora, médico (a), etc… Bom, com cinco anos eu queria ser grande. Com oito eu queria ser Cientista Genética. Mas isso não vem ao caso.

Continuando a trajetória de perguntas absurdas, vem o ínicio das piores:
1) Com quantos anos você quer casar?
Veja bem, ninguém perguntou SE você quer casar, e sim quando. Eu ficava perdida com essa pergunta! Mas como não gostava de deixar perguntas em branco, eu respondia dizendo que com a mesma idade com que mamãe casou-se (assim como a maioria das crianças que conhecia faziam).
2) Quantos filhos você quer ter?
Aí além de engolir um casório, você também tem que ter filhos. E fica quase implícito na pergunta que é bom que você tenha mais que um.
3) Onde você quer morar?
“Ah, não sei.” É óbvio que não sabia! Olha a idade. Mas como uma pergunta sempre precisava de resposta, eu respondia com uma dúvida: São Paulo, Nova York ou Ribeirão Preto. Se não me engano a resposta quase sempre era essa. “Ah, mas você não quer continuar na sua cidade?”, retrucavam. E eu dizia um sincero, simples e baixo “não…”, imaginando sempre que, toda “gente grande” que prestasse tinha um excelente emprego, sempre numa cidade bem grande.
4) Qual vai ser o nome do seu marido?
Agora você é, obrigatoriamente, heterossexual. E além de tudo, o cara tem que ter um nome. Nada como uma pergunta safada pra ter com o que te escorraçar n’A Hora do Parabéns (que na realidade é A Hora do Terror) do seu aniversário. E ai, você que não é besta nem nada, sabe que vai ser escorraçada… ao menos lista opções ou dá de resposta o nome de um garoto que é bem bonito. Afinal, se for pra cair na lama, que seja bem arrumado.

E aí, meu bem, você não tem nem cinco anos e planejou sua vida toda, até que… Numa certa tarde, você faltou da aula e resolveu ligar a tv. Pro terror da sua mãe (e talvez do seu pai também), algum desmiolado colocou pra passar na Sessão da Tarde, em plena 3hrs da tarde, um filme com um bando de adolescente tarado querendo nada mais, nada menos, do que uma irresponsável e inconseqüente transa.

Por mais que você seja a garota boazinha, um protótipo de Sandy sem os pais cornomúsicos famosos, que raramente apanha, raramente faz arte e raramente fica de castigo… Aquilo fica na sua cabeça. E quando você menos percebe, virou tudo um nó absurdo.

Você ainda sonha com o cara ideal, ainda quer ter a vida boa em uma cidade grande e ser um protótipo de Barbie que quase (ou não) deu certo. Só que o cara ideal tem mais defeitos que qualidades. O emprego não é o emprego dos seus sonhos porque no auge da sua rebeldia tardia, você deixou os estudos de lado e além disso, você conheceu outro campo (no meu caso, a música) e parou de sonhar com a mavarilhosa e fantástica genética; e o protótipo de Barbie foi pro ralo antes que você se desse conta, porque Barbie só serve pra ficar dentro de uma caixa de plástico ou na estante, enquanto tem outros zilhões de estilos que você pode adotar – e melhor ainda, você pode criar o seu.

E como o cara ideal (vulgo ex-príncipe encantado) geralmente se revela um merda e você não quer homem nenhum do seu lado mandando e desmandando e palpitando enquanto fica com a bunda pregada no sofá só assistindo tudo de camarote, você adota a Estratégia do Bar, afinal prostituição não pega bem e uma diversão de fim de noite é sempre bem vinda: Você vai pra um bar legal, fica amiga do barman (ou mesmo da barwoman), enxe a cara, leva um cara pra sua casa, usa e abusa do infeliz e chuta ele porta a fora no dia seguinte, antes mesmo de ir tomar banho para ir pro trabalho. E é incrível que alguns, quando te encontram, querem repetir a dose e ainda ficam naquela melosidade de querer um relacionamento.

Ah, tem dó, né?
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Reviravoltas

Eu tinha algo genial pra postar, mas resolvi 'criar um blog novo' no Wordpress (já que o App deles parece ser mais 'prático' pra postagens via iPhone) e acabei descobrindo que já tinha um blog lá. O blog de lá tem um post só, mas até esqueci o que eu queria postar inicialmente ao ler tal post. 
- Aqueles momentos em que a gente fica feliz com o que escreveu há muito tempo atrás (ao invés de envergonhados, como é mais comum acontecer) haha.

Mas lendo este blog cá, lembrei do que queria falar. Esse não vai ser um dos posts que eu gosto de escrever, será mais um desabafo.

"Receita Desmiolada pra Gaiola "Do-Contra"" às avessas.

Período de babá-bombril já foi. Se passaram 17 meses (uau!) desde que parei de ser babá. A história dessa 'migração' é longa, e não vem ao caso.
Mas de babá eu virei Bar Associate (soa chique, né?), que nada mais é do que um nome montado pra bar tender e garçonete.
Bar Associate: o dobro do trabalho por um salário mínimo só.
Dancei o "Se vira nos 30" de Bar Associate por QUASE um ano  - e esse quase é importante, pelo menos pra mim. Por quase um ano foram cerca de 240 cv's enviados que não resultaram em "candidatação" de sucesso.
Hilariamente, não foi um dos currículos enviados que me fez mudar de emprego: fui headhunted por uma empresa de suporte técnico multi-lingual de âmbito internacional-europeu. Parece chique, né? rs
Então, olhando por essa perspectiva curta, eu progredi legal. De perrengue como babá, tendo que dizer "Amém" pra todas as merdas que a família contratante requisitava, eu sacudi a poeira e fui encarar a vida de pub em aeroporto inglês. E disso voltei a trabalhar com informática, que é o que realmente gosto. Então de ganhando 60 librinhas semanais, pulei para 180 e depois 250 (sem cálculo de imposto). 

Mal não tá. Mas bom ('bom-como-eu-queria') também é que não está.
Aí parece que 90% das pessoas que me conhecem concordam (comigo) que 'bom não está' e dizem que eu tenho mais é que voltar pra casa.
Eu também quero voltar pra casa: apertar meus gatos, andar descalça e sentir o piso frio/fresco, sair do lado de fora e sentir aquele sol de fritar ovo na cabeleira de tao quente que é! E de ir nadar de graça no clube e passar a tarde morgando na frente da tv sem maiores preocupações e, no fim do dia, sair com os amigos sem rumo.

Mas aí penso: um ano e meio brigando aqui pra melhorar, insistindo na luta por algo melhor e de repente largar tudo (ou nada, depende do seu ponto de vista) pra voltar pra casa, sem emprego, e sem perspectiva do que fazer?

A "Receita Desmiolada pra Gaiola "Do-Contra"" virou do avesso. Tipo "Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come."
Voltar pra casa seria admitir que tudo deu errado!
Voltar pra casa seria readaptar a um ambiente que até a "pélinha" da cutícula que está soltando no seu dedo (e que você não viu), importa pra sociedade fútil ao seu redor.
(ok, agora fui dramática sem motivo)

Mas o lance é desistir desse um ano e meio de luta. Essa desistência seria como provar que nada valeu a pena e tudo deu errado. Seria assumir um fracasso que, sinceramente, ainda não é!
Seria falhar comigo mesma e conviver diariamente com as consequencias tristes desta decisão. E nisso, nem voltar atrás na escolha seria algo dado como opção.

E é como uma pessoa muito querida, importante e especial falou: Estar aqui me dá a chance de ser eu mesma, euzinha, sem tem que me preocupar como cada decisão (até as esdruxúlas como [mal] senso de estilo ou mesmo gosto musical) minha vai afetar minha família e amigos. 
Aqui eu posso ser eu (enquanto o salário der).
É verdade que aqui o ritmo de vida e a rotina são cruéis e a gente facilmente se perde neles, esquecendo  que dia que é ou até se já comeu no dia - imagine agora como fica complicado manter laços de amizades ou até conhecer pessoas! Mas ainda assim....

Então, é, eu não gosto quando tenho que pensar em voltar pra ficar.
Eu quero voltar: quero apertar meus gatos e sentir o frio do piso-frio nos pés descalço. Sentir o calor esturricante e ir nadar sem maiores preocupações. Comer arroz com feijão, bife e farofa! Tomar suco de laranja fresco pagando menos de 3libras (rs - BEM menos!). Quero dormir na cama da minha mãe e acordar com 5 gatos diferentes roncando ao meu redor. Sinto falta até de ouvir o ventilador girando naquele calor de matar.
Mas não quero engolir um fracasso e desistir dos esforços dos últimos 2 anos. E eu não acho que estou assim, tão caso perdido!

E eu sei que posso estar amargamente errada também.

E aos babacas de plantão que acham que ainda estou aqui por causa de namorado: SE LIGA, MANOLO! A realidade é outra e namorado jamais me prender a lugar algum ou mandou em minhas decisões.
 
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